Com a qualidade vem o sucesso
A família Rodrigues tem já uma grande tradição na comercialização de carnes. Tudo teve início com Manuel Martins Rodrigues que foi da Sertã para Lisboa em busca de melhores oportunidades de negócio. Hoje em dia, é a segunda geração que dá seguimento à Capricarnes, com Sérgio e Bruno Rodrigues na gerência desta empresa da Pontinha, concelho de Odivelas. Para além desta sociedade abastecedora de carnes, existe ainda o Talho de Odivelas, da mesma propriedade, e que rege a sua atividade seguindo o princípio da máxima qualidade dos produtos comercializados.
Manuel Martins Rodrigues deixou a sua vila natal, a Sertã, para rumar até à capital portuguesa com fé na procura de melhores condições de vida. Chegou a Lisboa com apenas 12 anos e deu, assim, início àquela que é hoje a principal atividade da família Rodrigues, a comercialização de carnes por grosso. Tudo começou com o comércio da carne de borrego, um tipo de carne muito apreciado e cuja distribuição, há cerca de 50 anos, tinha uma grande expressão. À medida que o negócio foi crescendo, o empresário contava com a crescente colaboração de familiares e deu-se também a entrada da segunda geração da família, com Sérgio Rodrigues, filho, e Bruno Rodrigues, sobrinho. Na atualidade, são os dois sócios gerentes que administram a Capricarnes, uma sociedade abastecedora de carnes que resultou dos primeiros passos do patriarca nesta atividade.
Capricarnes – Sociedade Abastecedora de Carnes
Surge nos anos 80 a Capricarnes, uma empresa que se dedica ao armazenamento e distribuição de carnes verdes e congelados por grosso, onde se destacam as espécies ovina, caprina, suína e bovina, essencialmente de origem nacional. Sérgio Rodrigues começa por dar especial ênfase à evolução de todo este negócio, principalmente no que respeita à vertente da distribuição. “Muita da mercadoria e do nosso produto era transportado de comboio. As condições de transporte eram muito diferentes das que hoje existem e penso que, em Lisboa, teremos sido das primeiras empresas a ter um carro equipado com frio”.
A Capricarnes é responsável pela comercialização de carnes mas, com os produtores, mantém estabelecida uma relação de grande proximidade. “Sempre tivemos parcerias muito próximas com a vertente da produção e, à medida que fomos crescendo e evoluindo, esses parceiros cresceram connosco. Contamos com algumas casas que nos fornecem há mais de 30 anos e este acaba por ser um grande trabalho em conjunto e que beneficia todas as partes”, diz Bruno Rodrigues.
Os talhos de rua ou os chamados mercados tradicionais são o principal cliente desta empresa e que requer o fornecimento de carnes frescas como o porco, o borrego, o cordeiro, o cabrito ou o novilho. Este cliente perfaz cerca de 90% do mercado da Capricarnes que fornece ainda, em menor escala, algumas grandes superfícies e hipermercados. “Só não comercializamos aves”, acrescenta. Relativamente ao ovino, “este é um negócio mais sazonal. Antigamente, era comercializado todos os dias mas atualmente é na Páscoa e no Natal que mais se vende este tipo de carne. O cabrito tradicional vem da zona da Sertã e temos o hábito até de dizer que sabemos bem onde o animal nasceu”, referem os empresários.
Seleção cuidada das carnes
“Fazemos questão de trabalhar com carnes frescas e de uma seleção muito cuidada. Queremos manter o nosso cliente satisfeito e pretendemos que ele tenha um bom produto para apresentar ao cliente final. Só assim é possível manter o negócio de forma sustentada. A maioria das nossas carnes é de origem nacional mas contamos também em Espanha como um parceiro que nos fornece algum produto. Temos a facilidade de nos deslocarmos aos matadouros para escolher a nossa carne e esse é um fator de diferenciação. Contamos já com muita experiência e muitos anos de trabalho, o que nos dá um certo privilégio no mercado”, explica Sérgio Rodrigues. O transporte das carnes aos clientes é feito diariamente e sob a responsabilidade da Capricarnes que está muito focada nos mercados da Grande Lisboa. Bruno Rodrigues explica que contam com alguns clientes no Norte e também no Sul do país, sem esquecer a exportação à qual já procederam, inclusive.
Grande capacidade de armazenamento
A Capricarnes conta com uma câmara com capacidade para armazenar 30 toneladas de carne e uma outra que armazena cerca de 50 toneladas. “Recebemos carne todos os dias e vendemos essa mesma carne também diariamente. O nosso stock está sempre em constante rotação e não temos uma peça de carne armazenada por um período que exceda os dois dias, no máximo. Por semana, são cerca de 80 toneladas de carne comercializadas e nas épocas festivas esse é um valor que aumenta para perto do dobro”, orgulham-se os empresários. No que respeita aos congelados, existe capacidade para armazenar cerca de 300 toneladas desse produto e, nesta matéria, é trabalhado o cabrito, o borrego e também as aves, como é o caso do pato e do peito de frango, para além da dobrada e do chispe.
Palavra para com o cliente é fator de diferenciação
Em termos de mais-valias, os empresários dão especial enfoque à confiança por parte do cliente e à fiabilidade do produto comercializado. “A palavra é muito importante e quando garantimos ao cliente uma entrega em determinado dia, a entrega será feita na hora acordada. Temos as nossas voltas diárias, que já são certas e os clientes apreciam a nossa disponibilidade. Para além disso, o cliente é sempre livre de escolher a peça que pretende. Entregamos a carne mas damos liberdade para que o cliente possa ver o restante produto, no caso de querer escolher uma outra peça”.
“Estar mais próximos do consumidor final”
Como referido, a qualidade das produções destinadas à Capricarnes é altamente controlada e contemplada de perto junto dos produtores que acompanham a empresa há já várias décadas. Sérgio e Bruno Rodrigues não descartam a possibilidade de virem a ter uma produção própria e, nesse sentido, ainda mais selecionada. “De volta à Sertã, poderemos pensar nesse facto e poderíamos, com uma produção destinada em exclusivo à Capricarnes, garantir uma qualidade ainda maior no produto que comercializamos. Por outro lado, temos ainda o objetivo de estar mais próximos do consumidor final e é nessa ordem de ideias que viemos a apostar na abertura de talhos, ou seja, uma porta aberta ao cliente. Está a perder-se esta tradição de talho ou mercearia de rua e isso deve-se ao terreno ganho pelas grandes superfícies nos últimos anos. Temos em estudo uma forma de ficarmos mais próximos do cliente final para que ele possa acompanhar a nossa tradição. Aquilo que fazemos é essencialmente fornecer os mercados de rua e a verdade é que, a partir daí, não controlamos o restante processo. Gostaríamos de assegurar qualidade até ao momento em que o cliente confeciona as nossas carnes e esse facto poderá traduzir-se na abertura de novas casas”, conclui Sérgio Rodrigues.
Talho de Odivelas
O Talho de Odivelas, como o próprio nome indica, está sediado no centro da vila de Odivelas e pertence também à família Rodrigues, contando aqui também com a presença de Andreia Rodrigues na sua gestão.
“Chegámos a ter outros talhos espalhados pela cidade de Lisboa mas acabámos por manter apenas este com porta aberta. O principal fornecedor de carne é, claramente, a Capricarnes, e todo o produto que apresentamos ao nosso cliente é cuidadosamente selecionado”, explica Bruno Rodrigues. Para além do atendimento ao balcão, este é um talho que fornece ainda alguns restaurantes da zona onde se encontra instalado. “A nossa principal preocupação é deixar o cliente totalmente satisfeito. Tentamos sempre surpreendê-lo e inovar, por exemplo, na apresentação das nossas carnes e outros produtos. É importante marcar pela diferença”, acrescenta Sérgio Rodrigues. Na garrafeira do Talho de Odivelas é possível encontrar algumas referências de renome nacional pelo que conta com vinhos das zonas demarcadas mais importantes do nosso país. Paralelamente às carnes, este é um estabelecimento que comercializa também uma grande variedade de produtos de charcutaria e outras carnes prontas a cozinhar, como é o caso das espetadas ou dos hambúrgueres, por exemplo.





